sábado, 30 de julho de 2011

Amor

Nomeei-te no meio dos sonhos


Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor

(Ruy Belo)


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ser do mar

Beira Mar
Sou morador das areias
De altas espumas
Os navios passam pelas minhas janelas
Como o sangue nas minhas veias
Como os peixinhos nos rios,

Não tem velas, e tem velas
E o mar tem e não tem sereias
E eu navego, e estou parada
Vejo mundos e estou cega,
Porque isto é mal de família
Ser de areia, de mar, de ilhas
E até sem barco navega
Quem para o mar foi fadada,

Deus te proteja Cecília
Que tudo é mar - e mais nada.


Cecília Meireles
In Mar Absoluto e Outros Poemas (1945)



Sobre o amor

O seu santo nome
Carlos Drummond de Andrade

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.


O amor continua sendo um dos grandes temas da literatura universal e também motivo da aproximação entre as pessoas. 
No entanto, tem-se observado uma banalização dessa palavra no mundo moderno. Por reles motivos, os amantes pronunciam a palavra amor, às vezes para se sentirem melhor, justificar a si mesmos em alguns relacionamentos. Conspurcaram o amor, deitaram abaixo de sua majestosa posição. Criou-se uma grande confusão e mal-entendidos.  Enquanto para alguns, se mantém a perfeição dos sentimentos, para outros é pura experimentação!